segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A fotografia na era digital

 ERA DIGITAL
A grande mudança recente, produzida a partir do final do século XX, foi a digitalização dos sistemas fotográficos. A fotografia digital mudou paradigmas no mundo da fotografia, minimizando custos, reduzindo etapas, acelerando processos e facilitando a produção, manipulação, armazenamento e transmissão de imagens pelo mundo. O aperfeiçoamento da tecnologia de reprodução de imagens digitais tem quebrado barreiras de restrição em relação a este sistema por sectores que ainda prestigiam o tradicional filme, e assim, irreversivelmente ampliando o domínio da fotografia digital.
O conceito de fotografia digital apareceu juntamente com a guerra fria e a corrida espacial. Afinal de contas, como fotos do espaço e do país rival poderiam ser tiradas a milhares de quilómetros de altura se o filme não pudesse ser trazido à Terra para ser revelado?


A primeira tentativa de se criar uma câmara digital foi feita em 1975, por Steven Sasson, da Kodak. Usando o novíssimo chip CDD de detecção de imagens, desenvolvido pela Fairchild Semiconductor em 1973, o protótipo pesava mais de 3 quilos, gravava imagens em preto e branco, tinha uma resolução de 0.01 megapixéis (10 mil pixéis) e precisava de 23 segundos para capturar uma imagem! Imagine-se!
No ano de 1981 a Sony, tradicional fabricante de equipamentos lançou, a MAVICA, (magnetic video camera), a primeira câmara com sensor electrónico que gravava imagens ainda analógicas numa disquete.
A primeira câmara verdadeiramente digital para uso público foi a Kodak DCS-100, de 1,3 megapixel, desenvolvida pela Kodak e Nikon e lançada em 1991. Essa câmara, montada no corpo de uma Nikon F3, transferia arquivos digitais coloridos ou em preto e branco para um dispositivo que o fotógrafo transportava em uma mochila. Era um sistema pesado, pouco ágil, mas revolucionário.

A comercialização das câmaras digitais começou apenas em 1986, com a Canon RC-701, mas a preços proibitivamente absurdos: 20.000 dólares!
A primeira câmara digital lançada comercialmente foi a Dycam Model 1, em 1990, com capacidade de se ligar a um PC ou um Mac para transmitir as fotos.
Em 1991, a Kodak lançou a DCS-100. Esta foi a primeira câmara digital profissional a usar o sistema SLR (single lens reflex), que utiliza espelhos e uma única lente para garantir que aquilo que o utilizador vê é o que será efectivamente fotografado. Usando o corpo de uma câmara da Nikon, ela tinha uma resolução de 1,3 MP.
Nos anos seguintes, vários modelos de câmaras digitais foram lançados, trazendo inovações facilmente vistas hoje em dia, como a Fuji DS-200F em 1993 (primeira com memória flash embutida), a Apple Quick Take 100 em 1994 (primeira câmara digital colorida), a Nikon Zoom 7000 QD em 1994 (primeira com função de estabilização de imagens), a Casio QV-10 em 1995 (primeira câmara com visor de cristal líquido) e a Ricoh RDC-1 em 1995 (primeira que permita gravar fotos e vídeos).
Todas estas câmaras apresentavam uma baixa resolução de imagem. A resolução é baseada no sensor CCD (Charged Coupled Device) (ou CMOS) usado no equipamento para converter os fotões (unidade básica da luz) em imagem. De forma básica, o sensor é formado por milhões de “alvos” que contam a quantidade recebida de fotões – isto significa que, quanto maior a quantidade de ‘alvos’, maior a resolução da foto, pois mais fotões foram percebidos.
Na fotografia digital a resolução da imagem produzida é fundamental, não para a qualidade intrínseca da imagem, mas para a dimensão do produto final que quer produzir-se, problema que não se coloca no filme. Adiante abordaremos também esta questão.
Hoje em dia qualquer câmara “amadora” apresenta resoluções superiores às necessidades do utilizador: 12 milhões de pixéis são vulgares em câmaras desse patamar, o que nos conduz ao “mito do pixel”!

O MITO DO MEGAPIXEL
O mito do megapixel foi iniciado pelos fabricantes de câmaras e engolido pelos consumidores. Os fabricantes de câmaras usam o número de megapixéis duma câmara para nos levar a pensar que isso tem algo que ver com a qualidade da câmara. A ideia transmitida é a de que quantos mais megapixéis melhor a câmara. Não há nada de mais errado.
É apenas um artifício usado por vendedores e fabricantes para sentirmos que a nossa máquina actual é insuficiente e precisa de ser substituída, mesmo que as novas câmaras sejam apenas um pouco melhores.
Infelizmente, é tudo um mito, pois o número de megapixéis (MP) de uma câmara tem muito pouco a ver com a forma como o aspecto da imagem final. Mais grave, boas câmaras com baixa resolução podem fazer imagens melhores do que as câmaras mais pobres e com mais MP.


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